Jabaquara online entrevistou a Jornalista Gleides Xavier 

A recente contratação da Tupi AM, Gleides Xavier,  é a nossa entrevistada do mês. Neste bate-papo a jornalista, que tem passagens por diversas rádios da capital Paulista, destaca um pouco da vasta experiência de radialista. Gleides também conta um pouco sobre o samba, que para ela vive um “momento difícil”.

 

Jabaquara Online: Gleides conte um pouco sobre sua carreira, e da onde surgiu a vocação para trabalhar em rádio? 

Gleides Xavier: São 20 anos de rádio. Eu entrei na faculdade de jornalismo, FIAM, com 17 anos e comecei a andar com o dial do rádio da esquerda para a direita. A primeira rádio da esquerda era à 89FM, que antigamente chamava Pool FM. Então fui lá e procurei  o diretor de jornalismo da época, Toninho Espessoto, e disse que precisava de um estágio e deixei um currículo. Isso foi no meu primeiro dia de faculdade. E quando eu cheguei em casa, minha mãe me falou que tinha um retorno dele falando para voltar no dia seguinte. Eu voltei no outro dia e comecei na Pool e nunca mais parei com esse ritmo de rádios. 

JOL: Boa parte de sua carreira foi dedicada nas estações de FM e agora com essa chegada na Tupi AM muda alguma coisa? 

Gleides: Eu já tive passagens marcantes, como exemplo, pela rádio América, foram dois anos. Foi um sucesso tremendo. Não só o programa Gleides Xavier, mas, também com o “Pagode Legal”. É forte na cabeça das pessoas o Band Brasil, a Band FM e a 105 FM. Mas rádio é imediatismo, é comunicação. Eu nunca fiz aquele rádio que você anuncia e desanuncia música, e nem sei fazer isso. Para mim o AM é só uma pós-graduação. 

JOL: Com essas passagens por diversas rádios você já conquistou  um público cativo. Eles sempre vão mudando com você?

 

Gleides: Eu procuro sempre estar com eles. Sempre peço para que estejam comigo e que me acompanhem. Recentemente, o estilo na rádio Atual era totalmente diferente, forró e sertanejo, mas muita gente me falou que começou a curtir forró. Quer dizer, a gente acaba fazendo não ouvintes, mas amigos.

 

JOL: Você comentou que houve essa mudança de estilos musicais de uma rádio para outra. Foi uma escolha sua ou determinadas rádios são rotuladas em tocar só determinados ritmos?

Gleides : Eu sou jornalista e radialista. Não estou para fazer a programação da rádio. O meu objetivo é me comunicar. Jamais trabalharia numa rádio em que eu teria que dar hora certa e anunciar e desanunciar uma música. O que esta contando para mim, é a liberdade que eu tenho de me comunicar, e o espaço que tenho para levar a informação e estar com os ouvintes. 

JOL: Como você avalia o seu primeiro programa ? Essa nova experiência duas horas diárias tratando de diversos temas. 

Gleides: O primeiro programa é sempre uma loucura. Tem um detalhe no AM que nem todos sabem. No FM nós falamos e operamos o áudio, e no AM temos o operador para desempenhar esta função. É como se você estivesse com um motorista do seu lado guiando, e ele não sabe direito o caminho.Então realmente a grande dificuldade é entrosar a técnica com a fala. No AM é tudo é mais lento. A equipe ainda se encontrando. Então o primeiro programa foi para descobrir o timming das coisas. Eu tiro como uma experiência maravilhosa. Deu tudo certo e não faltou nenhum convidado. 

JOL: Como vão ser definidas as pautas do programa? 

Gleides: Serão pautas voltadas a variedades. Trabalharemos a prestação de serviço mais voltada para a mulher. No decorrer da semana teremos um quadro chamado “Mais Bonita”, por exemplo. Também contaremos com as presenças de esteticistas, dermatologistas, endocrinologistas e ginecologistas. 

JOL: Você teme que com a evolução da tecnologia o rádio vá perdendo o espaço nos meios de comunicação? 

Gleides: Eu acho que o rádio nunca perde espaço. Se você for ver a realidade do brasileiro, infelizmente nem todos podem ter um computador em casa. Até os adolescentes,  para jogar, ou para fazer um trabalho de escola precisam ir para um Cyber ou uma Lan-House. O computador ainda é uma realidade distante do brasileiro. Já o rádio, ele é o companheiro de todo mundo. Se você vai na cozinha ele esta com você, se você vai para o quarto leva ele também. E outra coisa, tem o imediatismo. Por exemplo, o trânsito está ruim aqui na avenida Paulista, imediatamente chega a informação e já passamos. A internet já tem um trabalho maior. Uma coisa importante, apesar de vivermos numa cidade tão grande as pessoas são muito solitárias e esperam contar com alguém conversando com elas. E o rádio é esse companheiro imbatível. 

JOL: É verdade que você também comanda um programa aos sábados voltado ao samba? 

Gleides: É verdade aos sábados das 12h. às 16h. Vamos colocar o pessoal para curtir o clima de feijoada e ouvir boa música. Eu acho que é um momento de resgatar a boa música, porque o samba passa por um momento difícil. Acho que o samba ficou naquela coisa de muitos grupos comerciais, fazem a música para vender e ganhar dinheiro. Eu chamo de grupo de uma música só. A gente não refez nomes como Jorge Aragão, Beth Carvalho e Leci Brandão. 

JOL:  Nessa mesma linha de artistas, que passam por uma fase difícil,podemos listar o sambista Royce do Cavaco. Em uma entrevista ele chegou a comentar que as gravadoras, hoje, contratam um artista cobrando um imediatismo deles. 

Gleides: Na verdade, hoje, com a pirataria nem contamos mais com as gravadoras. Realmente o artista tem que se virar. Eu acho que cada vez mais o CD, como o LP, vai ficar para o passado, devido as facilidade da internet. Então o artista tem que se preocupar em fazer um bom marketing e ter um show legal. 

JOL: Para terminar a nossa entrevista deixe uma mensagem para o pessoal do Jabaquara e os convide para ouvir o seu programa. 

Gleides: Quero convidar o pessoal para estar nos fazendo companhia nos 1150 da rádio Tupi AM e agradecer a esse bairro muito querido, do meu amigo Biro do Cavaco, e espero contar com o carinho de todos.