Assim começou o Jabaquara

Como bairro, o Jabaquara pode ser considerado relativamente novo (está completando 41 anos), porém é uma região habitada desde o século XVII. Existe controvérsia sobre a data do aniversário do bairro. No arquivo da Biblioteca Paulo Duarte, que funciona no Centro Cultural Jabaquara, há  um decreto publicado no Diário Oficial do Estado de 17 de janeiro de 1964 criando o Sub-distrito do Jabaquara. Mas os dados do Arquivo Histórico Municipal registram a emancipação em 28 de fevereiro de 1964.

A denominação Jabaquara vem do tupi-guarani YAB-A-QUAR-A, que significa rocha e buraco. Nos tempos da escravidão era uma mata deserta que servia de abrigo aos escravos fugidos e que pertencia a uma das inúmeras sesmarias do Padre José de Anchieta, da Companhia de Jesus.

O local também servia como ponto de descanso para viajantes que se dirigiam a Santo Amaro e a Borda do Campo,  até o início do século XVII. Nessa época começou a ser procurado por fazendeiros e sitiantes que ali abriram estabelecimentos agrícolas e comerciais. Somente no fim do século XIX a região se popularizou, depois que a prefeitura resolveu instalar um logradouro público, o Parque do Jabaquara, para passeios e piqueniques.

A chegada dos trilhos dos bondes, em 1930, e a inauguração do Aeroporto de Congonhas, em 1940, deram um grande impulso ao desenvolvimento do bairro. Mas o marco decisivo para o crescimento, foi a construção da Paróquia São Judas Tadeu, em 1940, a pedido do arcebispo metropolitano Dom José Gaspar Afonso e Silva. A devoção ao padroeiro do bairro trouxe novos moradores e motivou os antigos habitantes. Atualmente,  a Paróquia de São Judas conta com duas igrejas e recebe cerca de 250 mil fiéis nos dias 28 de outubro (dia do santo), 80 mil pessoas nos dias 28 de cada mês e 10 mil em dias normais. 

Das famílias mais importantes da região,  duas se destacam na história do Jabaquara: os Rocha Miranda e os Cantarella. Esta última dona do famoso Sítio da Ressaca, que fica ao lado do Centro Cultural Jabaquara. A casa do Sítio da Ressaca é um dos pontos históricos da região. Seu nome vem  de um córrego que havia ao lado que, posteriormente, chamou-se  Córrego do Barreiro.

A construção do sítio é  do século XVII, como está escrito nas portas das principais residências. O local foi tombado em 1972. A restauração foi feita em 1978 e retomada em 1986, após um incêndio.  No mesmo local está o Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro, que reúne objetos referentes à presença dos negros em São Paulo.

O Sítio da Ressaca está aberto diariamente para visitação ao lado do Centro Cultural do Jabaquara.
No alto do Jabaquara, os engenheiros Hugo e Arthur Brandi, imaginaram um plano para lotear aquela vasta propriedade.

O loteamento fôra todo delimitado, para que não precisasse acabar com as árvores que cobriam o lugar e davam um toque especial para a paisagem. O lugar tornou-se um parque residencial muito calmo. Os lotes nunca eram menores que 1500 metros quadrados, e  os moradores, quase todos de descendência alemã, plantavam árvores das mais diversas espécies, inclusive as ornamentais e frutíferas.

A casa mais famosa da região era a “Chácara das Mimosas”, cujo proprietário era o respeitado cirurgião de São Paulo, Luiz do Rego. Sua propriedade era encoberta das mais diversas espécies de plantas e também muitas essências nobres no Brasil, como as acácias e flores miúdas e amarelas envoltas em pólen. Outra propriedade famosa que fez história no bairro foi a Ibiraparaó, que em tupi-guarani quer dizer “Casa dos Arcos”.

Alguns anos depois muita gente se mudou do Jabaquara e os novos proprietários passaram a relotear a terra em metragens cada vez menores. Depois que o dono morreu, a Chácara das Mimosas desapareceu e transformou-se no antigo parque do Jabaquara.

As outras chácaras que foram tombadas viraram bairros e levaram o nome de seus donos, como a Cidade Vargas e  Cidade Ademar.

Uma curiosidade da região é que a maioria das ruas leva o nome de árvores que existiam nas casas coloniais. É o caso da rua Buritis, Jatobás, Jequitibás, Grumixamas e Casuarinas.

Essas ruas pertenciam a uma só fazenda. Seus donos protegiam os escravos fugitivos de outras fazendas.

Ao longo dos anos a região ficou coberta por um cemitério de escravos. 

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Distrito: Jabaquara
Estimativa Populacional em 2000: 210.781
Taxa anual de Crescimento: -0,18
Taxa anual de Natalidade: 20,63
Anualmente Migram para esse distrito: 2.685 pessoas
Estabelecimentos Comerciais
Total de Estab. Comerciais: 2.845
Na área de:
Agropecuária: 3
Extração Mineral: 1
Indústria: 543
Indus. Utilidade Pública: 6
Construção Civil: 146
Comércio: 976
Serviços: 1.170

Empregos
Média anual de Empregos no setor de:
Agropecuária: 7
Extração Mineral: -
Indústria: 8.120
Indus. Utilidade Pública: 2.169
Construção Civil: 6.734
Comércio: 5.670
Serviços: 22.152

Ensino
Freqüência de estudantes em 1996: 198.179
Escolaridade com:
Menos de 1 ano de escola: 17.291
1º grau Incompleto: 90.823
1º grau Completo: 34.528
2º grau Completo: 35.891
3º grau Completo: 16.679
Anos de estudo não determinados: 2.967

Creches
Públicas: 14
Particulares: 11

Escola de Educação Infantil:
Pública: 7
Particular: 31

Estabelecimentos de Ensino Fundamental:
Estadual: 16
Municipal: 5
Particular: 19

Estabelecimentos de Ensino Médio :
Estadual: 5
Municipal: -
Particular: 10

Moradia
Residências Particulares: 59.589
Residentes em Favelas: 21.606
Moradores de Rua: 115

Saúde
Hospitais: 6
Postos de Saúde: 5

Esperança de vida
Homens: 65,2 em anos
Mulheres: 74,7 em anos

Taxa anual de Mortalidade
Geral: 6,37
Infantil: 12,62
Óbitos anuais por:
Acidentes de Trânsito: 23
Homicídios: 107
Suicídios: 7
Outros (causas externas): 28
Aids: 37
Fonte: IBGE 1996-2000