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Espetáculo O Armário Mágico reestréia em curta temporada no Teatro Ressurreição
A
música, entre o chorinho e o rock brasileiro, aciona a magia e os
pequenos são transportados um para o guarda-roupa do outro. A peça tem
dramaturgia de Paula Chagas Autran, trilha sonora original do maestro
Amalfi, com livre inspiração no livro
Pula-Elástico, de Zoran Pongrasic,
Dirigidos por Roberto Morettho, os atores Alessandro Hernandez (prêmio APCA de melhor ator no Teatro Infantil em 2005 pelo espetáculo Marujo o Caramujo e a Minhoca Tapioca) e Léia Rapozo interpretam duas crianças vizinhas que se conhecem de forma mágica e estabelecem um vínculo secreto, por intermédio do fantástico mundo da música. Depois de idas e vindas por meio de uma ligação misteriosa entre seus guarda-roupas, as crianças Malu e Tim aprendem a aceitar suas diferenças e suas personalidades.
Depois de perder os cabelos em decorrência de um tratamento médico, a pequena Malu fica envergonhada e se recusa a sair de casa. Ao mesmo tempo, Tim, filho de artistas famosos, também se tranca em seu quarto: além de não conhecer ninguém na cidade, fala de um jeito engraçado e confunde as palavras, por ter passado sua infância de escola em escola, de País em País. Um dia, Malu ouve um barulho estranho em seu armário. Ao encostar sua orelha nele para ouvir melhor, é transportada magicamente para o guarda-roupas de Tim.
A linguagem cênica
“A idéia de jogo cênico para o
espetáculo O Armário Mágico
é fazer um paralelo entre a
magia do teatro e o guarda-roupas mágico das personagens da história”,
afirma o diretor Roberto
Morettho. “Brincaremos com a
metalinguagem, criando um paralelo entre o teatro que fala do teatro,
versus a imaginação e a sensibilidade infantil que dialogam com a razão
da vida, que nem sempre é razoável, conforme o texto aponta”, completa o
diretor. 
O armário mágico é, também, um camarim de teatro, que guarda dentro de si todas as possibilidades de mudanças sensíveis e de transposição dos limites. “Daí vem o jogo dos atores com seus personagens, por meio do uso dos figurinos, adereços, bonecos e objetos, dentro da linearidade narrativa do texto”, fala Morettho. E conclui: “A mágica do armário é a mágica da imaginação e do jogo da arte teatral. É a linguagem do teatro que revelaremos na cena”.
O processo de criação do espetáculo foi baseado em jogos e brincadeiras. “Por abordarmos temas difíceis, como a doença de Malu e a solidão de Tim, optamos por trazer elementos lúdicos, para tornar a encenação mais dinâmica. Nós nos apoiamos em jogos de iniciação musical para alimentar a criação de cena, por exemplo”, comenta o ator Alessandro Hernandez. “Também utilizamos manipulação de bonecos e um pouco de teatro de objetos para tornar a peça mais divertida”, completa Léia Rapozo.
O papel da música
A
música, além de ser capaz de acionar a magia do armário, guia o ritmo
desta peça, transitando entre o chorinho e o cult rock’and’roll
brasileiro da Banda
Suely e os Kantikus,
dos anos 60. Com trilha sonora original do maestro Amalfi,
a combinação dos sons, cenário e iluminação cria um ambiente lúdico,
poético e onírico: tudo para transportar as crianças ao mundo da
fantasia e estimular a capacidade criativa de sua imaginação, às vezes
negligenciada pelos videogames e pelos programas fast-food da
televisão.
A escolha dos gêneros musicais partiu da dramaturga Paula Chagas: “Quando pensei a história do personagem que faz par com Malu, a música veio com muita força. Como sou de uma família de músicos, coloquei um pouco da minha história na peça: as composições do meu bisavô e a banda de rock da minha mãe, Suely e os Kantikus”. Já o pai do choro, Joaquim Calado, apareceu na peça quase por coincidência: “Eu queria um músico que se chamasse Joaquim e, ao pesquisar, descobri o Calado. Apesar de ser o criador do choro, ele é pouco conhecido, assim como meu bisavô, que compôs muito, mas não chegou a ficar famoso”, completa Paula.
Sobre a cenografia
O
grande desafio cenográfico era resolver a questão da “viagem de
armário”. Para isso, Silvana Marcondes (que assina também o figurino e
os adereços) criou um armário de fundo duplo, que é manipulado pelos
próprios atores. “Às vezes o armário está no quarto da Malu, outras no
do Tim. Em alguns momentos, podemos ver os dois quartos. Além disso,
propomos jogos para o armário, como forma de simbolizar outras coisas.
Nós o transformamos em uma ambulância, em uma carroça de teatro
medieval, em um camarim... São formas de brincar e estimular a
imaginação das crianças”, explica Alessandro.
Sobre o grupo
Fundada em 2003, a Cia O GRITO foi criada no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP, a partir de um grupo de estudos sobre dramaturgia e encenação contemporânea com experimentações entre cena e texto. A companhia tem em seu histórico espetáculos como Caça aos Ratos, A Terra Onde Nunca se Morre, Marujo o Caramujo e a Minhoca Tapioca e O Caso da Casa.
Para roteiro:
O ARMÁRIO MÁGICO – Direção – Roberto Morettho. Dramaturgia – Paula Chagas Autran. Elenco – Alessandro Hernandez e Léia Rapozo. Cenário, figurinos e adereços – Silvana Marcondes. Iluminação – Carol Autran. Trilha Sonora original – Maestro Amalfi. Produção – Cia O GRITO – Cooperativa Paulista de Teatro. Duração – 60 minutos. Recomendado para maiores de 5 anos.
Temporada – De 05 de abril a 31 de maio. Domingos às 11:30 horas. Ingressos – R$ 20,00 e R$ 10,00 (estudantes com carteirinha).
TEATRO RESSURREIÇÃO
Rua dos Jornalistas, 123 – Jabaquara. Estação Jabaquara do Metrô. Telefone – (11) 5016-1787. Capacidade – 385 lugares. Bilheteria – Terças e quartas, das 14 às 18 horas; quintas, sextas e sábados, das 14 às 21:30 horas; domingos, das 10 às 20:30 horas. Estacionamento R$ 10,00.
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